Enquanto o mundo volta os olhos para os cartões-postais famosos do Rio de Janeiro, como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar.
Um outro cenário urbano tem ganhado protagonismo no turismo internacional: as favelas cariocas.
Em 2025, a capital fluminense registrou um recorde de visitantes estrangeiros — cerca de 2,1 milhões de turistas — e muitos deles decidiram ir além das praias e pontos tradicionais em busca de algo mais autêntico: vivências nas comunidades populares.
Rocinha, a maior favela do Brasil, tornou-se um dos destinos mais procurados.
Ali, visitantes caminham por vielas estreitas, observam murais coloridos de grafite e assistem a apresentações de capoeira ao ar livre. Essa busca por “imersão cultural” transformou a própria favela em um tipo de palco — onde moradores compartilham histórias, sabores e perspectivas sobre a vida cotidiana.
Para muitos moradores, a chegada de turistas não é apenas curiosidade — é oportunidade econômica. Guias locais, como Vitor Oliveira, que antes trabalhavam como moto-táxi, hoje guiam grupos pelas ladeiras e mirantes da comunidade, oferecendo explicações sobre tradições, cotidiano e pontos de vista que fogem às narrativas estigmatizadas.
”Vir ao Rio e visitar apenas a Praia de Copacabana, a estátua do Cristo Redentor e o Pão de Açúcar é não conhecer o Rio de verdade.
É visitar um lado chique e caro do Rio”, disse Oliveira.
Rota autêntica: Em 2025, 2,1 milhões de turistas buscaram vivências nas comunidades populares, para além do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar.
O fenômeno não aconteceu por acaso. A ampliação do interesse por destinos “fora do óbvio” nas redes sociais e relatos de influenciadores sobre a vida nas favelas ajudaram a divulgar a ideia de um turismo mais “genuíno”, capaz de resgatar memórias, cultura e humanidade em meio às paisagens urbanas.
Guardiães dessa nova forma de viajar, guias como Cosme Felippsen defendem que a visita não deve ser apenas um espetáculo para estrangeiros, mas uma chance de aprender sobre a história local por meio da voz dos próprios moradores — um contraponto às narrativas simplistas e superficiais que muitas vezes dominam as páginas de viagens.

